Olha! Olha lá! Aquela pobre criatura... Depois de abandonar a Covardia resolve ainda caminhar e sabendo que não mais poderá voltar aventura-se por entre os espinhos. Arranha-se, dilacera-se, mas não é o suficiente. Não, não é. A Covardia desistiu aí e tu, Maximiliano?
Ousas então continuar a caminhar em espinhos cada vez mais densos?
Bom, nada posso fazer por ti, bem sabes.
Não chores! Lágrimas salgadas em tuas feridas ensanguentadas de nada ajudarão no teu suplício.
Mas enfim, o fim do turbulento início, contemple então esta Bela Floresta que, por estar tão longe da marcha, ainda cheia de belezas não deturpadas preserva!
- Preciso lavar-me! Descansar... Meu corpo dói, alguns cortes estão profundos - gemeu o pequeno.
- Ali, uma clareira, segue pra lá e dorme. - Respondeu-se prontamente.
Senta-te! Merecido descanso! À beira de um lago de límpidas águas, mas que magnífico! Mergulha! Fará bem a tuas feridas! A água desse lindo lago servirá de recompensa a tua tão sacrificada jornada.
Certo.
Excelente.
Muito bem.
Agora saias já da água, pois estás me entediando e continue a caminhada por obséquio.
Não sejas mal-criado agora!
...
Aparentas estar bem melhor agora, não?
- Por que está árvore é azul? - perguntou-se.
- Ela não é, são borboletas azuis que a cobrem toda!
Voem! E espalhem-se pelo ar! E circulem, circulem numa nuvem azul e confusa em torno da árvore que antes estavam tão paradinhas.
- Um humano! - disseram muitas vozezinhas em uníssono.
- O que é isso?! - reagiu o menino sem saber exatamente pra onde olhar.
- Eu sou o Panapanã Azul! - continuou a míriade de vozezinhas que saí da nuvem - Como vieste parar aqui, menino?
- Pelo caminho dos espinhos, ainda estou bem ferido, mas estou um pouco melhor depois de tomar um banho ali - e apontou pra lago.
- E o que queres? - indagaram todos os serezinhos em perfeito alinhamento.
- Eu não tenho certeza.
- Aaaaaaah! - e o panapanã debandou, cada borboleta indo para um canto.
- Para onde você foi?
- Como não sabes? - responderam as vozezinhas vindo de toda parte da floresta - Saíste assim? Sem mais nem menos da marcha? Não é comum ver os humanos saírem da marcha, só aqueles que querem alguma coisa. Diga! O que queres?
- Já disse que não sei!
- Aaaaaaaaaaaaah! - as borboletas saíram de todos os espaços das árvores e começaram a voar ao redor de Max
- Vai me deixar tonto assim!
- Se não sabes o que queres, por que não me admira? - as vozezinhas cercavam e confundiam o pobre menino.
- E por que eu faria isso?
- Porque você não tem motivos suficientes para não o fazer e muito menos motivos para ir embora agora.
- Certo - respondeu confuso e relutante, porém sabendo que havia um punhado de razão nas palavras do Panapanã.
Tamanha vaidade desse Panapanã! Veja como faz desenhos pela floresta! Movimentos tão agitados e tão serenos... Criatura arrogante! Tão arrogante que eu poderia passar a tarde inteira apreciando. E é isso que farás Max? Perderá sua tarde apreciando o Panapanã Azul?
- Não te compreendo, o que você ganha se eu te apreciar?
- Absolutamente nada!- E a continuava e dançar e formar desenhos no céu. - Um humano nada pode fazer por mim, mas só por você existo, minha sina é ser seu para apreciar.
- Ainda não compreendo!
- Não compreenda! Não pedi sua compreensão!
Max, ingênuo! Mal sabes que se compreender o Panapanã a pobre criatura morrerá, e de quem será a culpa senão de tua? E de quem será a culpa senão de tua razão?
- Obrigado por me apreciar, pequenino!
- De nada, eu acho.
- Como te sentes?
- Acho que bem... Por isso essa apresentação, não?
- És tão tolinho, pequenino.
- Como assim?!
- Siga naquela direção, e eventualmente sairás da floresta - disse indicando a direção de um caminho estreito por entre as árvores.
- Criatura confusa... - murmurou - Obrigado e adeus!
- Adeus e tome cuidado, pequenino.
Foi-se mais uma vez. Logo vi que este moleque daria trabalho, desde o dia que nasceu! Logo vi que sairia do caminho da marcha. Logo vejo que o pequeno Max não tardará a acabar consigo por sua insolência.
- Outro caminho estreito...
- Vai se aventurar de novo?
- Não tenho escolha.
- Sempre tem.
- Ora, me deixe.
E foi-se.
16/02/12
10/01/12
Prelúdio: O caminho de lá
- Max! Aqui! Junte-se a nossa marcha! Não seja mal-criado agora!
- Tem um caminho ali, o que tem lá?
- Possivelmente não é bom, ninguém vai pra lá, a marcha está passando, anda logo.
- Volto já!
E foi-se.
- Pelo menos não tem ninguém mais gritando comigo. - disse.
- Mas agora estás sozinho - respondeu-se.
- Antes só que junto daquela gente - desafiou-se.
- E o que podes sozinho nesse caminho esquisito? - Salientou a si.
- Verás - e pôs-se em xeque.
Vês Maximiliano? Desbravador e louco? Lá está! Subindo sozinho e pior, preso consigo! Ninguém retorna de lá! Ninguém de importante pelo menos.
Ah, Maximiliano... Que pensarão seus pais? Que tragédia, que desgraça! Preparem uma homenagem fúnebre para Maximiliano!
- Cansei-me.
- Há de cansar-se, dias de caminhada sem descanso.
- Preciso sentar um pouco. Um pouco de água. Um pouco de comida.
- Nada tens, na marcha teria de comer, beber e quem sabe uns prazeres a mais...
- E aquilo o que é?
- Para mim uma árvore... Uma macieira!
Ah! Veja ele correndo pra macieira! As maçãs são proibidas por decreto formal na marcha! Como pôde? Criminoso! É agora obrigado que seja punido severamente! Escovaremos seus dentes e lavaremos seu estômago, e aí o reintegraremos se possível for, do contrário como poderemos marchar com o cheiro insuportável das maçãs, Maximiliano?
- Nunca tinha comido maçãs.
- Gostaste?
- Mais que qualquer outra coisa que já comi.
- Veja! Quem é aquele lá?
- Um vagabundo, me parece...
Quanto tempo Sr. Paulo Lâcheté! Sumiu da marcha não deu notícias, agora aí está, um ermitão nojento.
Sr. Lâcheté, não conseguimos escovar seus dentes o suficiente, o cheiro das maçãs não mais saía, não tivemos escolha, Sr. Lacheté, não pode mais participar da nossa marcha, por favor retire-se.
- Quem és tu?
- Paulo Lâcheté, dono de tudo o que visto. E tu?
- Maximiliano.
- Comeste maçãs?
- Sim, estavam ótimas.
- Que pena, meu filho, que pena. Sabes que não poderás mais voltar a marcha, certo?
- Não faz mal, não pretendia retornar mesmo.
- Pensei assim um dia, meu caro, agora veja onde estou, preso aqui sem companhia e infeliz.
- O que te prende?
- O próprio caminho! Tentei avançar, mas me machuquei tanto que voltei para cá! E agora não posso voltar!
- Por que és infeliz?
- Me arrependo de ter comido estas maçãs todas, se tivesse ficado na marcha isso nunca teria acontecido! Nunca! Mas agora que as comeste também não tem escolha, terás que me fazer companhia, não deixarão que retornes.
- Muito tentador Sr. Lâcheté, mas acho que prefiro continuar.
- Estou te avisando, palavra de amigo, o trecho agora é íngreme e perigoso sabe-se lá o que tem depois, é mais seguro ficar aqui, perto da macieira, afinal maçãs são frutas ótimas.
- São ótimas sim, mas tenho certeza que estas frutas me deixariam enjoado depois de alguns dias, passar bem Sr. Lâcheté.
- Bom, até daqui a pouco jovem Max.
Ah... Maximiliano, afaste-se então da marcha. Afaste-se! Não precisam de você! Continuarão a marchar sozinhos e passarão muito bem, comerão sua ração e seguirão rigorosamente essas pegadas no chão e tudo correrá bem, e tudo correrá exatamente como tem que correr, e tudo correrá precisamente da mesma forma que há 15 dias atrás quando marcharam antes de nós, e tudo correrá bem depois e depois. Já contigo, Maximiliano, preso a si e sozinho nesse caminho, continuará a caminhar mas não faz ideia do que te aguarda!
- Tem um caminho ali, o que tem lá?
- Possivelmente não é bom, ninguém vai pra lá, a marcha está passando, anda logo.
- Volto já!
E foi-se.
- Pelo menos não tem ninguém mais gritando comigo. - disse.
- Mas agora estás sozinho - respondeu-se.
- Antes só que junto daquela gente - desafiou-se.
- E o que podes sozinho nesse caminho esquisito? - Salientou a si.
- Verás - e pôs-se em xeque.
Vês Maximiliano? Desbravador e louco? Lá está! Subindo sozinho e pior, preso consigo! Ninguém retorna de lá! Ninguém de importante pelo menos.
Ah, Maximiliano... Que pensarão seus pais? Que tragédia, que desgraça! Preparem uma homenagem fúnebre para Maximiliano!
- Cansei-me.
- Há de cansar-se, dias de caminhada sem descanso.
- Preciso sentar um pouco. Um pouco de água. Um pouco de comida.
- Nada tens, na marcha teria de comer, beber e quem sabe uns prazeres a mais...
- E aquilo o que é?
- Para mim uma árvore... Uma macieira!
Ah! Veja ele correndo pra macieira! As maçãs são proibidas por decreto formal na marcha! Como pôde? Criminoso! É agora obrigado que seja punido severamente! Escovaremos seus dentes e lavaremos seu estômago, e aí o reintegraremos se possível for, do contrário como poderemos marchar com o cheiro insuportável das maçãs, Maximiliano?
- Nunca tinha comido maçãs.
- Gostaste?
- Mais que qualquer outra coisa que já comi.
- Veja! Quem é aquele lá?
- Um vagabundo, me parece...
Quanto tempo Sr. Paulo Lâcheté! Sumiu da marcha não deu notícias, agora aí está, um ermitão nojento.
Sr. Lâcheté, não conseguimos escovar seus dentes o suficiente, o cheiro das maçãs não mais saía, não tivemos escolha, Sr. Lacheté, não pode mais participar da nossa marcha, por favor retire-se.
- Quem és tu?
- Paulo Lâcheté, dono de tudo o que visto. E tu?
- Maximiliano.
- Comeste maçãs?
- Sim, estavam ótimas.
- Que pena, meu filho, que pena. Sabes que não poderás mais voltar a marcha, certo?
- Não faz mal, não pretendia retornar mesmo.
- Pensei assim um dia, meu caro, agora veja onde estou, preso aqui sem companhia e infeliz.
- O que te prende?
- O próprio caminho! Tentei avançar, mas me machuquei tanto que voltei para cá! E agora não posso voltar!
- Por que és infeliz?
- Me arrependo de ter comido estas maçãs todas, se tivesse ficado na marcha isso nunca teria acontecido! Nunca! Mas agora que as comeste também não tem escolha, terás que me fazer companhia, não deixarão que retornes.
- Muito tentador Sr. Lâcheté, mas acho que prefiro continuar.
- Estou te avisando, palavra de amigo, o trecho agora é íngreme e perigoso sabe-se lá o que tem depois, é mais seguro ficar aqui, perto da macieira, afinal maçãs são frutas ótimas.
- São ótimas sim, mas tenho certeza que estas frutas me deixariam enjoado depois de alguns dias, passar bem Sr. Lâcheté.
- Bom, até daqui a pouco jovem Max.
Ah... Maximiliano, afaste-se então da marcha. Afaste-se! Não precisam de você! Continuarão a marchar sozinhos e passarão muito bem, comerão sua ração e seguirão rigorosamente essas pegadas no chão e tudo correrá bem, e tudo correrá exatamente como tem que correr, e tudo correrá precisamente da mesma forma que há 15 dias atrás quando marcharam antes de nós, e tudo correrá bem depois e depois. Já contigo, Maximiliano, preso a si e sozinho nesse caminho, continuará a caminhar mas não faz ideia do que te aguarda!
Me lembra
A Psicodélica Saga de Maximiliano
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07/01/12
Sobre comentários polidos pertinentes ao Poder Maior
Saudações caríssimos!
Muito bem, já comentei sobre os seres inexistentes que estão em nosso mundo para continuar a ocultar a presença do Poder Maior, mas nunca discorri muito sobre o próprio Poder Maior. É chegada a hora de compensar esta terrível falha.
Vejamos, talvez seja mais produtivo que eu descreva um pouco das relações entre nós mortais e o Poder. A minha em particular é uma relação muito amistosa: eu não ligo pra Ele e Ele não me telefona, assim coexistimos muito pacificamente...
É claro que nem todos os mortais encaram esta relação como uma relação boa (embora eu já tenha destacado que é perfeitamente pacífica), alguns deles insistem para que encaremos o Poder Maior desta ou daquela forma, tocam sua campainha no sábado de manhã para isso (algo que eu encararia como um pecado capital se estivesse no cargo de Poder Maior), agradecem a cada passo minúsculo dado, o que para mim é ao mesmo tempo extrememente prepotente e diminutivo, afinal os mortais são tão incompetentes que não podem dar um passo sem supervisão? E tão importantes num universo tão vasto que algo tão Maior tenha que guiá-los constantemente até seus vasos sanitários?
Não podemos esquecer aqueles que fingem que possuem uma relação com o Poder Maior, pagam-lhe uma visita semanal numa casa que é supostamente Dele, escutam algumas palavras que não questionam, falam algumas palavras que nada significam, fazem alguns pequenos processos mecânicos que nada valem, pensam que são muito melhores, mas na verdade nada são.
Ah... Como pude esquecer há aqueles que declararam guerra ao Poder Maior também, vivem uma relação conturbada, sobretudo discutindo Sua existência, ridicularizando os outros mortais que parecem ter uma relação saudável com Ele e estão felizes com ela, com suas palavras duras e certezas aparentemente bem embasadas...
E o que faz o Poder Maior vendo tudo isso? Interfere?
Nem pensar! E acabar com o melhor programa de comédia que Ele conseguiu inventar nessa parte da eternidade? Gargalhadas estrondosas ecoam nas profundezas do Universo, gargalhadas ecoam graças ao nosso querido planetinha...
Por enquanto, caríssimos, é só o que tenho a declarar sobre o Poder Maior. Se Ele decidir quebrar nosso acordo e me telefonar para por a conversa em dia, não se preocupem pois a transcreverei na íntegra aqui e tenho certeza de que seria uma conversa muito interessante e estimulante. Até breve!
Me lembra
Algo indefinido,
Discussões a desenvolver
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04/01/12
Sobre as Engrenagens das máquinas registradoras
Saudações ávidos leitores!
O período de férias tornou-me um tanto prolífico na produção de textos! Ah... O que a falta de obrigações acadêmicas não fazem!
Vejamos, eu falei um pouco do Titã da última vez (se você não sabe quem é verifique aqui, ou não e divirta-se utilizando todo seu poder de inferência!), uma das coisas que deixei de comentar foi o efeito do Titã justamente em nossas obrigações, sobretudo as financeiras...
Depois de um certo tempo torna-se incômodo pedir dinheiro aos pais e assim buscamos um fonte de renda própria: um estágio, uma atividade qualquer (temporária, informal ou até mesmo escusa) para podermos custear minimamente nossas necessidades (e uns pequenos luxos, se possível).
Bom, eis que você está exercendo sua atividade escusa e recebendo seu ordenado/salário/bolsa/esmola e então abre a sua caixa de correio... Uma carta com aspecto de limpeza e que foi enviada em quantidades massivas para as mais diversas pessoas sem ao menos considerar as particularidades de cada uma (embora a carta tenha seu nome impresso e alegue conhecer muito bem suas atividades), eis que esta carta te oferece um cartão de crédito, eis que você se torna um ser encolerizado...
Um cartão de crédito? Pra quê eu quero uma maldita empresa de cartão de crédito me cobrando uma taxa absurda por um serviço que não tenho a mínima pretensão de utilizar!?
O telefone toca:
- É o Sr. Felizberto Fulanodetal?
- O próprio.
- O Sr. teve um crédito pré-aprovado para.... [explicação inútil]+[vantagens inúteis]... Então Sr., posso aprovar o pedido?
- Nunca mais me ligue se você valoriza sua vida, tenha uma boa tarde.
E os bancos! As Engrenagens! Poucas coisas me incomodam mais que ficar mais de 5 minutos numa filial de uma Engrenagem qualquer e ter que presenciar tudo o que ocorre no interior dela (e você é forçado a isso enquanto espera ser ludibriado, digo, atendido). Aquelas paredes brancas, as filas, os atendentes constatando que o sistema caiu, as ligações, o dinheiro pra lá, os cheques, os contratos, o caixa, o dinheiro pra cá e o título e a multa e o boleto e o valor e a senha e a transferência e as ações e o cartão e o desespero.
Obviamente, tudo devidamente mascarado em letras miúdas e sorrisos de comerciais, naquele jeito organizadinho e ordenado que só uma Engrenagem pode ter, uma descomunal e irritante falsidade.
Vejam bem, caríssimos, o Titã nos faz engolir as Engrenagens eventualmente, isto é triste...
Triste demais.
Meu caro Titã, não és poderoso o suficiente para destruí-las? Não poderias reinar num mundo sem Engrenagens? Ou será que você não as destrói porque os mortais cismam em crer que precisam delas?
Ah, isso tudo saiu com um ar um pouco mais indignado do que pretendia, me parece que cada vez menos tenho consciência sobre o que escrevo, vejo vocês em breve nesse período que me parece ser bem inspirador.
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01/01/12
Sobre um lampejante lapso de síndrome de Peter Pan
Que seja feliz o seu novo ano, virado leitor.
Este blog sobreviveu um bom tempo já, desde 2009... Pelo menos há alguns finais de mundo esse blog já passou, só no ano passado acho que uns dois ou três e espero que sobreviva também ao fim do mundo desse ano.
E a passagem do tempo como sempre torna a aparecer como um artista velho, conhecido e incrivelmente talentoso no palco destes parágrafos.
Não costumávamos prestar atenção no velho Cronos quando éramos crianças, andávamos de mãos dadas com ele sem nem cogitar que ele podia nos devorar a todo instante. Mas aí alguma coisa aconteceu, e subitamente notamos o poder desse titã. Arrastado, rasteiro. Noto agora que já acumulei uma certa quantidade de massa memorial consciente para comparar estágios... De um local, de uma vida, seja o que for e a habilidade de promover mudança contínua é o que o Titã faz de melhor, tome um exemplo, um amigo próximo que você conheça há 5 anos ou mais e veja o que ele foi há 5 anos e o que ele pensava, o que ele acreditava, o que ele gostava, mas não o compare com o amigo de hoje, será impressionante e você dirá que o titã realmente faz coisas inacreditáveis, mas não é esse o ponto, lembre-se agora do seu amigo de 4 anos e 6 meses atrás e note aquele detalhe que mudou, aquele pensamento que amadureceu e aquele que caiu por terra compare agora o amigo de 5 anos e o amigo de 4 anos e 6 meses, que são praticamente iguais... (Se necessário for reduza o período de tempo para 3 ou 2 meses, afinal é um exercício mental você pode fazer quantas repetições e com intensidade que você quiser, agora se você não é muito adepto à academia do cérebro pule de 5 anos atrás para hoje diretamente e ignore completamente toda a argumentação posterior)
Repita o processo até que seja o amigo de hoje e veja que o Titã jamais fez um absurdo, algumas turbulências no meio do caminho talvez, mas a transformação é em geral suave, não é simplesmente aterrador?
É claro que você, caríssimo leitor, pode aplicar este processo de análise em si mesmo, creio que se você lê este texto você deve conhecer-se há pelo menos 5 anos, do contrário saia agora da frente deste computador e vá jogar bola/brincar de boneca/jogar videogame(para os mais reclusos e antissociais), e assim descobrir como você chegou a ser esta criatura tão fascinante, tão absolutamente significante e tão intensamente curiosa que é você.
Na verdade eu comecei o texto com intenção de escrever coisas completamente diferentes das que estão presentes, mas se as escrever agora certamente eu te saturaria com minhas palavras, mas não se preocupe (como eu sei certamente que você está preocupado), pois eu as guardarei para uma próxima ocasião.
Ah! Aproveite esse último ano!
Este blog sobreviveu um bom tempo já, desde 2009... Pelo menos há alguns finais de mundo esse blog já passou, só no ano passado acho que uns dois ou três e espero que sobreviva também ao fim do mundo desse ano.
E a passagem do tempo como sempre torna a aparecer como um artista velho, conhecido e incrivelmente talentoso no palco destes parágrafos.
Não costumávamos prestar atenção no velho Cronos quando éramos crianças, andávamos de mãos dadas com ele sem nem cogitar que ele podia nos devorar a todo instante. Mas aí alguma coisa aconteceu, e subitamente notamos o poder desse titã. Arrastado, rasteiro. Noto agora que já acumulei uma certa quantidade de massa memorial consciente para comparar estágios... De um local, de uma vida, seja o que for e a habilidade de promover mudança contínua é o que o Titã faz de melhor, tome um exemplo, um amigo próximo que você conheça há 5 anos ou mais e veja o que ele foi há 5 anos e o que ele pensava, o que ele acreditava, o que ele gostava, mas não o compare com o amigo de hoje, será impressionante e você dirá que o titã realmente faz coisas inacreditáveis, mas não é esse o ponto, lembre-se agora do seu amigo de 4 anos e 6 meses atrás e note aquele detalhe que mudou, aquele pensamento que amadureceu e aquele que caiu por terra compare agora o amigo de 5 anos e o amigo de 4 anos e 6 meses, que são praticamente iguais... (Se necessário for reduza o período de tempo para 3 ou 2 meses, afinal é um exercício mental você pode fazer quantas repetições e com intensidade que você quiser, agora se você não é muito adepto à academia do cérebro pule de 5 anos atrás para hoje diretamente e ignore completamente toda a argumentação posterior)
Repita o processo até que seja o amigo de hoje e veja que o Titã jamais fez um absurdo, algumas turbulências no meio do caminho talvez, mas a transformação é em geral suave, não é simplesmente aterrador?
É claro que você, caríssimo leitor, pode aplicar este processo de análise em si mesmo, creio que se você lê este texto você deve conhecer-se há pelo menos 5 anos, do contrário saia agora da frente deste computador e vá jogar bola/brincar de boneca/jogar videogame(para os mais reclusos e antissociais), e assim descobrir como você chegou a ser esta criatura tão fascinante, tão absolutamente significante e tão intensamente curiosa que é você.
Na verdade eu comecei o texto com intenção de escrever coisas completamente diferentes das que estão presentes, mas se as escrever agora certamente eu te saturaria com minhas palavras, mas não se preocupe (como eu sei certamente que você está preocupado), pois eu as guardarei para uma próxima ocasião.
Ah! Aproveite esse último ano!
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19/12/11
Sobre um intervalo de um ano, três meses e alguns dias
Olá, fantasmagóricos leitores!
Creio eu que nem multas, nem extensos discursos serão suficientes para o desrespeito que cometi contra vocês em tanto tempo de ausência, sendo assim, simplesmente não farei nada e saibam que estarei muito satisfeito com esta situação.
Eu não me lembro onde foi que parei em meus devaneios, poderia lê-los afinal estão por aqui flutuando como lixo eletrônico na internet, mas o tempo é precioso, e isto meus caros, vocês sabem muito bem que valorizo muito pra perder tempo com lixo eletrônico, mesmo que seja meu lixo eletrônico.
E por mais que a assiduidade um dia comtemplada por uma pequena elite que tinha se estabelecido hoje não mais exista, escreverei (como sempre) para ninguém.
Foi um ano a mais no curso de Matemática na Universidade Federal do Rio de Janeiro, que aliás, certamente me deixou menos são do que era anteriormente. Um ano de matemática cursado concomitantemente com uma oficina de teatro e aulas de piano, um ano deveras atribulado, se me permitem roubar a expressão machadiana (se não me permitirem, não posso fazer muito por vocês além de me desculpar de uma maneira não muito sincera).
Mas exatamente o porquê de estar escrevendo esta postagem após tanto tempo inativo me escapa, ou talvez não, é um surto provavelmente... Isso, um surto de produção, uma necessidade desesperadora de produzir alguma coisa, um texto, uma imagem, uma música, uma realidade alternativa de golfinhos leitores de mentes, ou algo do gênero...
Esses surtos tem adquirido uma certa frequencia (finalmente desisti do pobre trema), seriam muito úteis se eu fosse um artista de algum tipo, mas acho que por enquanto me contentarei com um tipo de aproveitamento simples desses surtos para produzir discursos desconexos e pouco relevantes aos olhos alheios.
Mas a fonte dos surtos me intriga, o que poderia em 1 ano e alguns meses ter mudado de maneira tão drástica que a necessidade de externar qualquer coisa tenha se tornado tão imperativa?
Talvez a quantidade de influências... Um ser humano pode ser muito plural, aliás gosto de me encarar como tal, eu certamente não gostaria de responder a pergunta "O que você é?" com uma resposta tão limitada e limitante como "Matemático" ou "Professor", gostaria de encará-la como um desafio, algo como aquelas perguntas que só se fazem depois de algumas influências mentalmente intoxicantes e com respostas que superam nossa criatividade em todos os aspectos? Compreendem, caríssimos? É claro que sim ou não, disso tenho certeza muito mais que absoluta.
Seja como for, o surto existe e te cobra uma ação... Aja! Cresça! Faça! Manipule! Pule! Estrague! Empilhe! Faça da existência um playground ou morra tentando!
Eu poderia discorrer sobre muitos fatos do ano que passou para vocês meus caros, foi um ano e tanto, mas não o farei e o motivo é muito simples.
Não farei promessas de ano novo, nunca fiz e não vai ser agora que vou começar, será um novo ano! Não que faça muita diferença do antigo, afinal tudo que muda é o registro do último algarismo de um sistema padronizado de data, mas pelo menos tem uma comemoração muito legal na data de Transformação do Algarismo pelo mundo todo, uma maravilha.
Bom Dia do Bonachão de Vermelho e Feliz Festa da Transformação do Algarismo para todos e vejo vocês algum belo dia desses.
Creio eu que nem multas, nem extensos discursos serão suficientes para o desrespeito que cometi contra vocês em tanto tempo de ausência, sendo assim, simplesmente não farei nada e saibam que estarei muito satisfeito com esta situação.
Eu não me lembro onde foi que parei em meus devaneios, poderia lê-los afinal estão por aqui flutuando como lixo eletrônico na internet, mas o tempo é precioso, e isto meus caros, vocês sabem muito bem que valorizo muito pra perder tempo com lixo eletrônico, mesmo que seja meu lixo eletrônico.
E por mais que a assiduidade um dia comtemplada por uma pequena elite que tinha se estabelecido hoje não mais exista, escreverei (como sempre) para ninguém.
Foi um ano a mais no curso de Matemática na Universidade Federal do Rio de Janeiro, que aliás, certamente me deixou menos são do que era anteriormente. Um ano de matemática cursado concomitantemente com uma oficina de teatro e aulas de piano, um ano deveras atribulado, se me permitem roubar a expressão machadiana (se não me permitirem, não posso fazer muito por vocês além de me desculpar de uma maneira não muito sincera).
Mas exatamente o porquê de estar escrevendo esta postagem após tanto tempo inativo me escapa, ou talvez não, é um surto provavelmente... Isso, um surto de produção, uma necessidade desesperadora de produzir alguma coisa, um texto, uma imagem, uma música, uma realidade alternativa de golfinhos leitores de mentes, ou algo do gênero...
Esses surtos tem adquirido uma certa frequencia (finalmente desisti do pobre trema), seriam muito úteis se eu fosse um artista de algum tipo, mas acho que por enquanto me contentarei com um tipo de aproveitamento simples desses surtos para produzir discursos desconexos e pouco relevantes aos olhos alheios.
Mas a fonte dos surtos me intriga, o que poderia em 1 ano e alguns meses ter mudado de maneira tão drástica que a necessidade de externar qualquer coisa tenha se tornado tão imperativa?
Talvez a quantidade de influências... Um ser humano pode ser muito plural, aliás gosto de me encarar como tal, eu certamente não gostaria de responder a pergunta "O que você é?" com uma resposta tão limitada e limitante como "Matemático" ou "Professor", gostaria de encará-la como um desafio, algo como aquelas perguntas que só se fazem depois de algumas influências mentalmente intoxicantes e com respostas que superam nossa criatividade em todos os aspectos? Compreendem, caríssimos? É claro que sim ou não, disso tenho certeza muito mais que absoluta.
Seja como for, o surto existe e te cobra uma ação... Aja! Cresça! Faça! Manipule! Pule! Estrague! Empilhe! Faça da existência um playground ou morra tentando!
Eu poderia discorrer sobre muitos fatos do ano que passou para vocês meus caros, foi um ano e tanto, mas não o farei e o motivo é muito simples.
Não farei promessas de ano novo, nunca fiz e não vai ser agora que vou começar, será um novo ano! Não que faça muita diferença do antigo, afinal tudo que muda é o registro do último algarismo de um sistema padronizado de data, mas pelo menos tem uma comemoração muito legal na data de Transformação do Algarismo pelo mundo todo, uma maravilha.
Bom Dia do Bonachão de Vermelho e Feliz Festa da Transformação do Algarismo para todos e vejo vocês algum belo dia desses.
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Aquele que vos escreve,
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